Na segunda-feira, 17, a defensora pública Camila Araújo transformou o Teatro SESI em um espaço de diálogo e reflexão, ao palestrar sobre os 20 anos da Lei Maria da Penha para estudantes de 11 a 17 anos da Escola SESI. A conversa faz parte da programação do Agosto Lilás, iniciativa nacional voltada à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher.
Durante o evento, Camila detalhou que a violência contra a mulher vai além da agressão física, englobando abusos psicológicos, sexuais, morais, patrimoniais e a violência vicária (quando se utilizam terceiros, como filhos, para atingir a vítima). O debate também trouxe à tona temas contemporâneos, como o movimento "Red Pill" e a disseminação de discursos misóginos nas redes sociais.
"Esse movimento nada mais é do que a reafirmação da mulher num local de subalternidade em relação ao homem. Ele é, atualmente, o principal movimento disseminador da violência de gênero", explicou a defensora.
Ana Raquel, aluna do 3º ano do ensino médio, de 17 anos, deu seu ponto de vista sobre o comportamento adolescente, e masculino, nas redes sociais, destacando como o consumo de conteúdo digital sem filtro pode ser perigoso.
"Eu acho importante me posicionar nisso, porque a gente vive muito as redes sociais. Então tem uma disseminação de muito conteúdo e a gente consome, e muitos não têm o pensamento crítico de tipo: 'Nossa, isso que está acontecendo é errado'", ponderou a estudante.
Momento de escuta
Um dos momentos mais marcantes da tarde foi a abertura para a participação dos adolescentes, que fizeram perguntas e sanaram dúvidas sobre a Lei Maria da Penha. Além disso, as meninas viram na oportunidade um momento de escuta e compartilharam relatos próprios e de outras mulheres sobre situações de assédio e abuso, mostrando que, mesmo jovens, mulheres estão sujeitas a situações de violência de gênero.
Para a defensora, ouvir esses depoimentos reforça que a escola é um dos ambientes mais importantes para a atuação da rede de proteção de mulheres e identificação de abusos.
"A escola é um local essencial e primordial de proteção. É o lugar onde a menina pode ter a oportunidade até mesmo de entender o que está acontecendo com ela", disse.
A palestra encerrou com a orientação de que as meninas nunca devem se calar diante de situações que as incomodem. É preciso se posicionar e estabelecer limites desde cedo, sem naturalizar certas atitudes como “brincadeira”, evitando assim que a violência progrida para casos mais graves.