A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) deu início, nesta semana, ao Projeto MESC – Mediação de Conflitos no Ambiente Escolar, iniciativa desenvolvida em parceria com a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) e voltada à prevenção da violência e à construção de uma cultura de diálogo, respeito e democracia nas escolas estaduais.
A primeira etapa do projeto foi realizada nos dias 10 e 11 de agosto, com encontros de sensibilização em três escolas da rede estadual de ensino de Belo Horizonte: Escola Estadual Menino Jesus de Praga, na região de Venda Nova; Escola Estadual José Mendes Júnior, no bairro São Lucas; e Escola Estadual Clóvis Salgado, no Conjunto Califórnia.
O MESC tem como objetivo geral contribuir para a prevenção da violência no ambiente escolar e para a construção coletiva de espaços pautados pela democracia e pelo diálogo. Para isso, o projeto trabalha conceitos e ferramentas que permitem aos estudantes compreender melhor os conflitos, desenvolver habilidades de comunicação e buscar soluções adequadas e consensuais para as situações de divergência.
A proposta também contempla a educação em direitos como instrumento de formação cidadã. Ao conhecer seus direitos e deveres e desenvolver habilidades para o diálogo, os estudantes são estimulados a participar de forma mais consciente e responsável da vida em comunidade, contribuindo para um ambiente escolar mais acolhedor, democrático e colaborativo.
A formação foi estruturada em dez módulos, que abordam desde a compreensão do conflito até a aplicação prática das técnicas de mediação. Entre os temas estão Teoria do Conflito; Quem Somos Nós?; Comunicação Não Violenta; Escuta Ativa; Mediação de Conflitos; Etapas da Mediação; Ferramentas da Mediação, além de três módulos dedicados à prática.
O conteúdo será desenvolvido de maneira progressiva, permitindo que os estudantes não apenas conheçam os conceitos relacionados à mediação, mas também experimentem, na prática, formas mais construtivas de lidar com conflitos e diferenças.
A programação inclui ainda um sábado letivo e prevê, ao final da formação, a realização da formatura dos participantes e a implantação do Espaço MESC nas escolas. A conclusão do projeto está prevista para 30 de novembro de 2026.
Atuação nas escolas
Na Escola Estadual José Mendes Júnior, a sensibilização ocorreu em 11 de agosto e foi conduzida pela equipe formada pelos defensores públicos Victor Mathaus e Wellerson Correa e pela defensora pública Ana Paula Canela, que coordenou a atividade.
Na Escola Estadual Clóvis Salgado, também em 11 de agosto, participaram da atividade as defensoras públicas Eden Mattar, Silvana Lobo e Paula Regina Fonte Boa Pinto, sob a coordenação da defensora Eden Mattar.
Já na Escola Estadual Menino Jesus de Praga, a sensibilização ocorreu em 10 de agosto e contou com a participação das defensoras públicas Isabela Pastores, Luciana Vieira e Daniele Bellettato, sob a coordenação da defensora Luciana Vieira.
Além das defensoras e defensores públicos, o início do projeto contou com a participação das facilitadoras Flávia Resende e Beatriz Bovendorp Veloso, que contribuíram para o desenvolvimento das atividades.
Flávia Resende é advogada, mediadora de conflitos e facilitadora de diálogos. Há mais de duas décadas, dedica-se à construção de caminhos para o cuidado e a transformação das relações. Pesquisadora e professora, atua na formação de mediadores e facilitadores e em projetos de Mediação e Justiça Restaurativa em instituições públicas e privadas.
Beatriz Bovendorp Veloso é doutora em Direito pela UFMG e graduada em Psicologia e Direito pela PUC Minas. Mediadora certificada pelo IMAB e pelo TJMG, possui formação em Justiça Restaurativa e Círculos de Paz e é instrutora certificada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para cursos de Conciliação e Mediação. Também atua como tutora no Programa Nós e possui experiência na condução de processos autocompositivos, como mediadora judicial e extrajudicial e facilitadora de círculos de paz.
Uma cultura de diálogo
Ao levar a mediação de conflitos para dentro das escolas, o MESC busca ir além da resolução de situações pontuais. A proposta é oferecer aos estudantes ferramentas para compreender a origem dos conflitos, reconhecer diferentes perspectivas e desenvolver formas mais respeitosas e colaborativas de se relacionar.
Nesse sentido, a iniciativa aposta na educação em direitos, na comunicação não violenta e na mediação como instrumentos de transformação das relações. A expectativa é que os conhecimentos construídos durante a formação possam ser incorporados ao cotidiano escolar e contribuam para a prevenção de situações de violência e para o fortalecimento de uma cultura de diálogo.
Com a implantação dos Espaços MESC, prevista para novembro, as escolas passarão a contar com um ambiente destinado ao desenvolvimento dessas práticas, consolidando a proposta de construção coletiva de uma comunidade escolar mais consciente de seus direitos e deveres e preparada para lidar com conflitos de maneira democrática e pacífica.