ANADEP lança pesquisa inédita sobre saúde ocupacional e psicossocial das defensoras e dos defensores públicos
Estado: DF

Nesta quarta-feira (5/8), Dia Nacional da Saúde, a Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (ANADEP) lançou oficialmente a pesquisa "Mapeamento de Saúde Ocupacional e Psicossocial no Trabalho das Defensoras e Defensores Públicos no Brasil". A iniciativa tem como objetivo mapear as condições de saúde e qualidade de vida da categoria, analisando aspectos psicossociais, organizacionais e profissionais, além de avaliar indicadores relacionados à saúde integral.
A pesquisa parte da compreensão de que o exercício da Defensoria Pública reúne características singulares, marcadas por elevada responsabilidade, intenso envolvimento com demandas sociais complexas e permanente contato com o sofrimento humano.

O lançamento do estudo foi marcado por uma live promovida pela ANADEP, que reuniu a defensora pública do Estado de São Paulo e escritora Mari Carrara; o psicólogo organizacional Cristiano Costa, responsável pela pesquisa; e os(as) defensores(as) públicos(as) integrantes da coordenação do projeto: Arthur Pessoa (conselheiro consultivo da ANADEP), Bruno Braga (diretor jurídico), Luiz Felipe Rufino (diretor acadêmico adjunto da ENADEP) e Tereza Almeida (coordenadora da Região Nordeste).

Na abertura da transmissão, o defensor público Arthur Pessoa, mediador do encontro, destacou que a pesquisa representa um marco para a carreira. "É uma forma de dar visibilidade às dificuldades e aos desafios que permeiam nossa atuação como defensoras e defensores públicos. Mas, acima de tudo, é reconhecer que somos seres humanos e também temos nossas vulnerabilidades. Nosso propósito é cuidar de quem cuida. É um convite para olharmos para a nossa própria carreira", afirmou.

O diretor jurídico da ANADEP, Bruno Braga, ressaltou a importância da participação da categoria na construção do diagnóstico nacional. "É fundamental termos um levantamento consistente para que possamos construir diagnósticos e, a partir deles, adotar diretrizes capazes de promover o cuidado com as defensoras e os defensores públicos", destacou.
Diálogo sobre saúde mental

Durante o debate, Mari Carrara compartilhou como os 15 anos de atuação na Defensoria Pública influenciaram sua trajetória como escritora e sua percepção sobre a saúde mental na carreira. Ela destacou que o cotidiano da Instituição, especialmente na área criminal e durante a pandemia, evidenciou o impacto emocional da profissão.
Segundo Mari, a literatura tornou-se uma importante ferramenta de elaboração das experiências vividas e de aproximação entre profissionais que compartilham desafios semelhantes. Para a defensora pública, também é essencial que os ambientes de trabalho criem espaços de diálogo, convivência e troca de experiências, fortalecendo redes de apoio entre colegas.

Na sequência, Cristiano Costa apresentou os fundamentos da pesquisa e explicou que o estudo permitirá à ANADEP construir um diagnóstico nacional baseado em evidências científicas.
Segundo ele, o levantamento funcionará como uma cartografia da realidade da carreira, possibilitando identificar fatores de risco, compreender as condições de trabalho e subsidiar a formulação de políticas institucionais voltadas à promoção da saúde ocupacional e psicossocial.

Também participaram do debate a defensora pública da Bahia e coordenadora da Região Nordeste da ANADEP, Tereza Almeida, que abordou os desafios relacionados à integridade e ao exercício da atividade defensorial, e o diretor acadêmico adjunto da ENADEP, Luiz Felipe Rufino, que destacou os impactos provocados pela pandemia e pelo modelo híbrido de trabalho, fatores que dificultaram a convivência e o apoio mútuo entre colegas.
Metodologia
Durante a live, Cristiano Costa apresentou a metodologia da pesquisa, que será realizada por meio de um questionário estruturado em 12 módulos, compostos por perguntas objetivas, escalas de avaliação e um espaço destinado a manifestações qualitativas dos(as) participantes.
O levantamento abordará aspectos como perfil demográfico, histórico de saúde, qualidade de vida, organização do trabalho, sobrecarga cognitiva, segurança física e psicológica, além de um módulo denominado "Espaço da Palavra", destinado ao relato de experiências e percepções dos(as) respondentes.
O psicólogo explicou ainda que o sistema permitirá o preenchimento gradual do questionário e que a metodologia possibilitará comparações entre diferentes unidades da Federação, contribuindo para a construção de um panorama nacional da saúde ocupacional da carreira.
Participe da pesquisa
A participação de toda a categoria é fundamental para o sucesso da iniciativa.
O mapeamento produzirá um diagnóstico nacional sobre os fatores psicossociais, organizacionais e ocupacionais presentes na realidade da Defensoria Pública. Os resultados servirão de base para a formulação de políticas institucionais, programas de promoção da saúde, iniciativas de prevenção ao adoecimento e estratégias voltadas ao fortalecimento das condições de trabalho em todo o país.
Clique aqui e acesse o formulário da pesquisa.
Atenção: a plataforma foi desenvolvida exclusivamente para a realização da pesquisa. As senhas utilizadas nos sistemas da Defensoria Pública ou da ANADEP não são válidas para acesso. No primeiro acesso, é necessário realizar um novo cadastro. O nome e o CPF serão utilizados exclusivamente para validação funcional e permanecerão protegidos sob rigoroso sigilo.




