O auditório da Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES), em Vitória, transformou-se em um espaço de escuta e construção coletiva na noite desta terça-feira (17). Em parceria com o Fórum Metropolitano de Lideranças, a instituição reuniu representantes de diversos bairros da Grande Vitória e do interior para dialogar sobre os principais desafios enfrentados nos territórios capixabas.
O objetivo é reduzir a distância entre a instituição e a população, transformando a assistência jurídica em soluções efetivas para quem mais precisa.
Para alinhar a atuação institucional às demandas apresentadas, o encontro contou com a presença dos coordenadores das áreas de Atendimento, Cível, Saúde, Consumidor e Direitos das Mulheres. O diálogo também foi acompanhado pelo vereador de Vitória, Professor Jocelino, sinal da articulação entre os poderes em favor das comunidades.
Regularização jurídica e presença nos bairros
Durante o encontro, a DPES realizou uma apresentação detalhada sobre o seu papel institucional, explicando como a assistência jurídica gratuita pode contribuir para a transformação social. As lideranças apontaram um entrave recorrente: a informalidade das associações comunitárias. Muitas entidades atua sem documentação regular ou enfrentam pendências fiscais, o que limita o acesso a convênios e políticas públicas.
Como encaminhamento, ficou definida a identificação das demandas específicas de cada associação, com apoio da Defensoria na orientação jurídica para regularização e no fortalecimento da organização comunitária. A Instituição também avalia a realização de ações itinerantes nos territórios mapeados.
A coordenadora geral do Fórum Metropolitano de Lideranças, Drica Monteiro, celebrou a abertura da instituição como um ato de fortalecimento democrático.
“É sempre bom quando encontramos espaço para falar com segurança. Hoje muitos têm medo de se expressar, mas a Defensoria abre as portas e mostra que a democracia é um direito defendido por ela. Saímos com deliberações que vão fluir nos próximos meses para construir uma comunidade mais igual, onde todos participam e aprendem juntos”, afirmou.
A secretária executiva do Conselho Popular de Vitória, Simone Galdino, reforçou a função multiplicadora do encontro: “A partir daqui, conseguimos multiplicar o que foi discutido e orientar melhor os coletivos nas suas demandas cotidianas”.
Do interior para a capital: a luta das mulheres
A descentralização dos serviços marcou a fala de Liza Andréa, presidente do Instituto Ubuntu, que viajou de Piúma para pautar as demandas do litoral sul. Sua demanda foi a emancipação feminina e o combate à vulnerabilidade.
“Nosso objetivo é discutir políticas públicas. No interior, precisamos estreitar os laços com a Defensoria para dialogar e intervir em contextos de vulnerabilidade emocional e social. Muitas mulheres ainda vivem dependentes de maridos que não dão assistência; a justiça precisa chegar até elas para mostrar que seus direitos vão muito além do básico”, pontuou Liza.
Ao final do encontro, foi realizado o mapeamento de contatos e demandas específicas por região. A proposta é ampliar a presença da Defensoria nos bairros, utilizando as lideranças como ponte para identificar conflitos e promover soluções coletivas.
O defensor público-geral, Vinicius Chaves Araújo, destacou a importância do diálogo com as comunidades para o cumprimento da missão institucional.
“A Defensoria Pública só cumpre integralmente o seu papel quando entende as dores de quem vive o dia a dia das comunidades. Este diálogo com as lideranças é vital porque elas são o termômetro da sociedade. Queremos construir, com os movimentos sociais, soluções que promovam a dignidade e a cidadania plena em cada território do Espírito Santo”, destacou.