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18/03/2026

AP: Com incentivo da Defensoria, detentos encontram no teatro um caminho para a ressocialização

Fonte: ASCOM/DPEAP
Estado: AP
A Defensoria Pública do Amapá (DPE-AP) realizou, na última sexta-feira, 13, a doação de materiais ao Projeto Renovar, iniciativa desenvolvida no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen) que promove aulas de teatro para pessoas privadas de liberdade. Tecidos, tintas e cola quente estão entre os itens entregues e serão utilizados na confecção de figurinos e ornamentos das peças teatrais encenadas pelos participantes do projeto.
 
O Projeto Renovar utiliza a arte como ferramenta de expressão, reflexão e desenvolvimento pessoal. A proposta é inserir práticas culturais no cotidiano do sistema prisional, estimulando habilidades criativas e contribuindo para o processo de ressocialização dos participantes.
 
Para o defensor público Ricardo Carvalho, iniciativas como essa dialogam diretamente com um dos principais pilares da execução penal: a reinserção social. Segundo ele, projetos que ampliam o acesso à cultura e ao conhecimento contribuem para preparar os internos para o retorno à vida em sociedade.
 
“O acesso à cultura, à leitura, ao trabalho e à educação são formas fundamentais para que a gente consiga efetivar essa reinserção dos nossos assistidos”, destacou o defensor público.
 
O projeto foi idealizado pela educadora e especialista em execução penal Maria José Almeida. O grupo de teatro existe desde outubro de 2025 e as peças apresentadas são escritas e produzidas pelos próprios internos. A dinâmica das atividades inclui um dia da semana dedicado aos ensaios e outros dois voltados à produção dos cenários, figurinos e demais elementos necessários para as apresentações.
 
“Proporcionar esse contato com a cultura é essencial no processo de reinserção social. Nós temos as nossas regras dentro do sistema prisional, mas quando eles saem para as atividades culturais isso faz muito bem para a saúde mental deles”, afirmou.
 
 
PEÇA “E AGORA, JOSÉ?”
 
Com short vermelho, sandálias e blusas brancas poucas coisas diferenciavam os 23 detentos que aguardavam para apresentar a peça “E agora, José?”. Era um grupo de excluídos que, à primeira vista, pareciam uma coisa só. Mas foi no palco que suas singularidades se mostraram.
 
Durante a entrega dos materiais, os detentos apresentaram a história de um jovem recém-chegado ao sistema prisional e os desafios de aprender a viver dentro da prisão. Entre momentos de comédia, drama e música, a encenação percorre os sentimentos de medo, adaptação e esperança que atravessam a trajetória do personagem.
 
A peça também trouxe críticas sociais, relatos da realidade vivida no cárcere e reflexões sobre inclusão, estudo e profissionalização, oportunidades que muitos dos internos não tiveram antes de ingressar no sistema prisional.
 
Após assistir à apresentação ao lado de assessores da Defensoria, educadores e policiais penais, Ricardo Carvalho ressaltou a importância do projeto. Para ele, a iniciativa vai além da possibilidade de remição de pena, revelando um verdadeiro potencial transformador na forma como os participantes se dedicam e acreditam na arte como instrumento de mudança.
 
Nos bastidores, o teatro ganha outro significado. Em um momento de troca após o fim do espetáculo, os detentos compartilharam relatos sobre a experiência de participar do projeto. Segundo eles, o ato de se expressar por meio da arte, assim como assistir às encenações uns dos outros, ajuda a aliviar a tensão do cárcere. Para muitos, os momentos de ensaio e de construção das peças oferecem novas perspectivas sobre o futuro e sobre a vida após o cumprimento da pena.
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