A programação do Mês da Mulher da Defensoria Pública da Bahia contou nesta quinta-feira(12) com o lançamento da cartilha “Construindo Ações Transformadoras: como criar um grupo reflexivo para homens”, no auditório da Escola Superior (Esdep) da DPE/BA. A proposta do material é explicar o passo a passo para criar os espaços de reflexão, incentivar a autocrítica e a mudança de comportamento de homens acusados de agressão doméstica e familiar.
A cartilha foi escrita pelas defensoras públicas Bianca Mourão, coordenadora da 6ª Regional da DPE/BA, Ana Jamille Nascimento, Eveline Portela, Mariana Silva, Nathália Castelucchi e pelo defensor público Patrick Roger. O material discute, entre outros pontos, os possíveis modelos de grupos reflexivos, ressalta a importância dos Núcleos de Apoio Psicossocial, orienta sobre o diálogo com os homens e traz informações sobre monitoramento e avaliação da eficácia das ações.
Lançamento da cartilha
A programação foi iniciada com reflexões sobre a vida das mulheres, dados de violência de gênero e o papel central dos homens na erradicação da violência contra a mulher. A defensora-geral, Camila Canário, destacou que a chegada do mês de março traz sentimentos diversos devido ao aumento da violência contra mulheres. “A gente nunca sabe se comemora, se só reflete, principalmente em um cenário de Brasil que mostra que, em dez anos, houve um aumento de 185% nos casos de feminicídio”, disse.
Presidenta do Colégio de Coordenadores da Mulher em Situação de Violência Doméstica do Poder Judiciário Brasileiro (Cocevid), a desembargadora Nágila Brito destacou a importância do lançamento de uma cartilha específica sobre o tema. “Isso engrandece a Defensoria, coloca a instituição onde ela deve estar: buscando direitos e igualdade. Quando a gente defende a mulher, está defendendo a família, as crianças e adolescentes. E esse é um papel fundamental”, disse.
Coordenadora da 6ª Regional da Defensoria, sediada em Santo Antônio de Jesus, a defensora pública Bianca Fantinato explicou sobre a metodologia, funcionamento e objetivo dos Grupos Reflexivos. “É esse espaço de escuta, acolhimento e diálogo. Através das coisas do cotidiano, a gente consegue refletir com esses homens sobre comportamentos machistas, sobre as violências, e isso vai possibilitar a construção de outras masculinidades”, explicou.
Defensora pública com atuação em Lauro de Freitas, Ana Jamille relembrou a sua trajetória nas Varas de Violência Doméstica e, por meio de um caso emblemático, percebeu que era fundamental trazer os homens para o debate, para erradicar a violência de gênero. “Tem que dialogar com os homens porque nós vivemos em sociedade, muitas vezes há relações de afeto, tem filhos, e o homem tem que desconstruir o pensamento que não colabora com a isonomia entre homens e mulheres”, avaliou.