A apicultora e meliponicultora Heloneide Barros, de 45 anos, conseguiu regularizar a própria documentação e a da filha Hanna, de 5 anos, durante o mutirão da Carreta da Defensoria Pública do Amapá (DPE-AP), realizado no sábado, 28, na comunidade Quilombo do Rosa, localizada a cerca de 24 quilômetros de Macapá, na BR-210. Heloneide foi uma das 56 pessoas atendidas na ação.
Ela contou que quase foi impedida de embarcar no aeroporto de Minas Gerais porque sua carteira de identidade estava vencida. “Eu sou produtora de mel e fui participar de uma feira em Minas Gerais. No retorno, não queriam permitir meu embarque no aeroporto. Só autorizaram porque eu estava voltando para casa. Então procurei atualizar nosso registro civil para solicitar uma nova identidade, porque todo ano viajamos para essa feira”, relatou.
A ação foi promovida em parceria com o Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região (PA/AP), por meio do Programa Justiça Itinerante. Participaram também o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Polícia Científica do Amapá e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Joelma Menezes, presidente da Associação Quilombolas do Rosa, destacou que, embora a comunidade esteja próxima da área urbana, não há transporte público disponível, e o acesso aos órgãos públicos depende de transporte particular, que geralmente possui custo elevado. “Precisávamos muito desse mutirão. Aqui na comunidade moram 45 famílias, cerca de 135 pessoas, mas convidamos também moradores das comunidades ao redor, como Campina Grande, Mel da Pedreira, Ariri e São Pedro dos Bois, para aproveitarem o atendimento”, afirmou.
Para a juíza Núbia Guedes, coordenadora da Justiça Itinerante Trabalhista no Amapá, reunir diversos serviços em um único local e levá-los às comunidades quilombolas é fundamental para garantir inclusão e cidadania. “As pessoas vêm tirar a nova identidade na Polícia Científica. Se a certidão estiver inválida, já aproveitam o atendimento da Defensoria para solicitar a segunda via. São serviços que se complementam”, explicou.
Com os principais atendimentos da manhã ocorrendo dentro da Carreta da Defensoria, a defensora pública Gabriela Ferreira destacou a necessidade da instituição estar presente onde a população mais necessita. “Sabemos da dificuldade que é para o assistido ir até a Defensoria, mesmo quando há transporte público no bairro. Imagine em locais onde esse acesso não existe. Estamos à disposição da população”, finalizou.