A Defensoria Pública do Acre empossou, na manhã desta quinta-feira, 15, os novos defensores públicos Lohana Melo Lima e Marcos Antônio da Silva Oliveira. A solenidade reuniu familiares, amigos, a ouvidora-geral da defensoria e servidores da instituição, além de contar com transmissão remota, e foi marcada pela emoção dos empossados ao relembrarem as trajetórias que os levaram à carreira.
Natural de Aracaju, em Sergipe, Lohana chega à instituição após uma jornada de estudos, reprovações e persistência em busca da carreira que escolheu desde a graduação. Marcos, natural de Teixeirópolis, em Rondônia, iniciou sua trajetória profissional na Defensoria Pública em 2013, como estagiário, e, mais de uma década depois, assume o cargo de defensor público no Acre.
A cerimônia também destacou o papel das famílias e das pessoas que acompanharam os novos membros ao longo dessa caminhada, além da responsabilidade de atuar em uma instituição essencial à Justiça e à garantia de direitos.
Histórias que se encontram na missão de garantir direitos
Em seu discurso, Lohana afirmou que sempre teve a Defensoria Pública como objetivo profissional e ressaltou que a conquista representa também o esforço de familiares, amigos e da esposa que a incentivaram a continuar, mesmo diante das dificuldades.
Para a nova defensora, a atuação da instituição vai além da defesa de pessoas acusadas de crimes. Ela destacou a importância de assegurar que todos tenham acesso à Justiça, independentemente da condição financeira, e que os direitos sejam respeitados sem discriminação. “É lutar para que uma pessoa seja tratada com a mesma dignidade de quem teve oportunidade na vida”, afirmou Lohana.
A defensora também ressaltou que a escolha pela carreira envolve compreender as diferentes realidades sociais e reconhecer que a garantia de direitos não depende das condições econômicas de cada pessoa.
Marcos Antônio, por sua vez, dedicou parte de sua fala à mãe, que criou os três filhos e acreditou na educação como caminho para transformar suas vidas. Ele também agradeceu à esposa, Juliana, e às pessoas que o apoiaram durante a preparação para concursos e sua trajetória profissional.
Ao relembrar o início de sua caminhada na Defensoria Pública, no Rio de Janeiro, o novo defensor destacou a realização de um objetivo construído ao longo de anos de aprendizado e dedicação. “Eu inicio essa nova etapa da minha vida com profunda gratidão por tudo que passou e me trouxe até este momento, ciente de que esse é só o começo e que há muito trabalho pela frente”, declarou Marcos.
Compromisso com a população acreana
A defensora pública geral, Juliana Marques Cordeiro, destacou a emoção de dar posse aos novos integrantes e afirmou que a solenidade representa mais do que o cumprimento de um ato administrativo: simboliza a realização de sonhos e o fortalecimento da instituição.
Ao falar sobre Lohana, Juliana recordou que a nova defensora já havia conhecido a realidade da Defensoria durante sua atuação como assessora pelo Programa Dignidade do Cárcere (Prodic), em Tarauacá. A defensora pública geral também relembrou uma conversa em que incentivou Lohana a ter paciência e confiança na convocação, promessa que, segundo ela, se concretizou com a posse.
Sobre Marcos, destacou a alegria de receber mais um profissional com origem em Rondônia, estado com o qual também mantém vínculos.
Juliana ressaltou ainda que a formação de um defensor público não se limita ao conhecimento jurídico. A sensibilidade para compreender as dificuldades enfrentadas pela população e a capacidade de acolher quem procura a instituição são aspectos fundamentais para o exercício da função.
Uma instituição mais próxima de quem precisa
Representando a Associação das Defensoras e dos Defensores Públicos do Estado do Acre (Adpacre), o defensor público João Augusto Câmara, tesoureiro da entidade, parabenizou os empossados e suas famílias pelo resultado de uma trajetória marcada por dedicação e renúncias.
Ele também destacou os avanços da Defensoria Pública do Acre nos últimos anos, especialmente na ampliação da presença institucional no interior do estado. Segundo João Augusto, a expansão do atendimento permite aproximar a assistência jurídica de pessoas que enfrentam dificuldades para acessar seus direitos.
Ao falar sobre os desafios da carreira, o defensor lembrou experiências em comunidades ribeirinhas e aldeias indígenas, onde o atendimento exigia longas viagens de barco, avião ou helicóptero. Para ele, o contato direto com essas realidades ajuda a compreender a dimensão social do trabalho desenvolvido pela instituição.
João Augusto orientou os novos colegas a não enxergarem a rotina profissional apenas como processos e números, mas a reconhecerem as pessoas, suas angústias e necessidades por trás de cada demanda.
A posse de Lohana Melo Lima e Marcos Antônio da Silva Oliveira ocorre no ano em que a Defensoria Pública do Acre celebra 25 anos de autonomia. A chegada dos novos membros reforça o compromisso institucional de ampliar o acesso à Justiça, garantir a defesa dos direitos e oferecer atendimento à população que mais precisa da assistência jurídica gratuita.