A Defensoria Pública do Acre conseguiu uma decisão favorável para uma pessoa idosa e não alfabetizada que teve descontos realizados em seu benefício por causa de um cartão de crédito consignado que afirmou não ter contratado.
A assistida recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) e procurou a Defensoria após identificar descontos que comprometiam parte de sua renda. O caso foi acompanhado pelo Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon), com atuação do defensor público Rodrigo Chaves.
Segundo relatou à Defensoria, a mulher não solicitou o cartão nem autorizou a contratação. Durante o processo, a instituição financeira apresentou registros de uma suposta contratação realizada pela internet e informou que R$ 1.166 haviam sido depositados na conta da assistida.
A Defensoria questionou a validade da contratação, especialmente porque a assistida é uma pessoa não alfabetizada. Na análise do caso, foi reconhecido que o procedimento apresentado pelo banco não comprovava de maneira suficiente que ela havia compreendido e autorizado a contratação.
Contrato foi anulado e descontos considerados indevidos
A decisão anulou o contrato de cartão de crédito consignado e determinou a devolução em dobro dos valores descontados indevidamente do benefício. O valor de R$ 1.166 depositado pelo banco poderá ser considerado no cálculo da devolução.
O caso chama atenção para uma situação que pode atingir principalmente pessoas idosas e beneficiárias do INSS ou do BPC: a realização de contratos de crédito consignado sem que o consumidor tenha plena compreensão ou autorização da operação.
Como evitar problemas com cartão consignado?
Antes de aceitar qualquer proposta de empréstimo ou cartão consignado, é importante:
- Não fornecer senhas, códigos recebidos por SMS ou dados bancários por telefone, WhatsApp ou redes sociais;
- Desconfiar de pessoas que prometem dinheiro fácil, aumento do benefício ou liberação de valores mediante contratação;
- Não assinar ou confirmar contratos que não compreenda;
- Conferir regularmente o extrato do benefício para identificar descontos desconhecidos;
- Procurar diretamente o banco ou instituição financeira para confirmar qualquer contratação;
- Guardar comprovantes, mensagens, documentos e protocolos de atendimento caso identifique uma operação que não reconheça;
- Se houver um desconto que você não autorizou, buscar orientação antes de realizar qualquer pagamento ou aceitar um novo acordo.
- Para pessoas idosas, não alfabetizadas ou que tenham dificuldade para compreender contratos financeiros, é especialmente importante contar com auxílio de alguém de confiança e buscar informações antes de confirmar qualquer operação.
A Defensoria Pública do Acre orienta que, ao identificar um desconto ou contratação que não reconhece, o consumidor pode procurar atendimento jurídico para verificar a situação e saber quais medidas podem ser adotadas.
Em caso de dúvida, é possível procurar uma unidade da Defensoria Pública ou entrar em contato pelo WhatsApp (68) 99230-2101, para receber orientação.