“Eles são a minha prioridade.” A frase é de Wellington Souza da Silva, 39 anos, pedreiro autônomo, natural do Acre e morador de Várzea Grande, em Mato Grosso. Pai de seis crianças, três meninos e três meninas, com idades entre 1 e 11 anos, ele retornou ao Acre no dia 28 de abril após ser informado de que os filhos estavam em situação de vulnerabilidade no município de Bujari.
Sem recursos financeiros para custear o deslocamento da família de volta ao Mato Grosso, Wellington buscou apoio institucional. A partir do atendimento iniciado pela Defensoria Pública em Bujari, o caso passou a ser acompanhado pelo programa Rede Humanizada de Apoio a Meninas e Meninos (Rhuamm), da Defensoria Pública do Acre (DPAC).
Segundo os documentos encaminhados à rede de proteção, as crianças estavam sob os cuidados de familiares, que não tinham condições de assumir sozinhos a responsabilidade pelos seis irmãos. Diante da situação, Wellington viajou de ônibus até o Acre para buscar os filhos.
“Foi dificultoso, porque a gente sai em cima da hora, às pressas, sem recurso nenhum. Foi um tempo um pouco complicado. Depois, tive contato com a Defensoria em Bujari e fui encaminhado para Rio Branco. Foi aí que as coisas começaram a melhorar para mim”, relatou.
A atuação da Defensoria envolveu diferentes frentes para garantir o retorno seguro da família. Por meio do Rhuamm, a instituição acompanhou o caso, oficiou a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) para solicitar apoio no custeio do deslocamento interestadual e articulou providências com outros órgãos da rede de proteção.
Também foi necessário superar entraves administrativos e documentais. A Defensoria acionou a Vara da Infância e Juventude para dar respaldo formal à viagem e oficiou o Instituto de Identificação após ser constatada a necessidade de emissão urgente do documento de identidade de uma das crianças, medida indispensável para viabilizar o deslocamento.
Durante o período em que permaneceu no Acre, Wellington ficou com os filhos em Rio Branco. Ele conta que não conseguiu trabalhar nesse intervalo, porque precisava cuidar das crianças e aguardar a definição sobre o retorno da família. “Eu não tinha como trabalhar. Também não podia deixar as crianças sozinhas. Fiquei esperando uma resposta para voltar”, afirmou.
Após quase dois meses no Acre, Wellington e os seis filhos retornaram a Várzea Grande na última quarta-feira, 17. A viagem ocorreu com acompanhamento técnico, e a família foi recebida pela rede socioassistencial do município mato-grossense, responsável por dar continuidade ao acompanhamento.
Para Wellington, o apoio recebido foi decisivo para a reorganização da família. “Para mim foi muito gratificante. Eu não esperava isso. Deus colocou as pessoas certas no meu caminho. Fico muito grato por terem entrado e me ajudado”, disse.
De volta a Várzea Grande, o pai aguarda a matrícula das crianças na escola e na creche para conseguir retomar o trabalho como pedreiro autônomo. Ele também pretende procurar a Defensoria Pública no Mato Grosso para tratar de questões relacionadas à guarda e à reorganização familiar. “Quando cheguei lá, eles estavam em uma situação precária. Mas aqui vou conseguir me erguer de novo junto com eles e tocar a vida para frente”, afirmou.
De acordo com a coordenadora do Rhuamm, Regiane Machado, a atuação integrada foi essencial para garantir proteção e segurança à família, evitando que o pai e as crianças permanecessem desassistidos no Acre. “O objetivo foi remover entraves administrativos, garantir documentação, acionar a rede de proteção e possibilitar que a família retornasse com segurança ao local onde possui referência e possibilidade de reorganização”, destacou.
Para o coordenador de Cidadania da DPAC, defensor público Celso Araújo, o caso reforça a importância da atuação articulada entre instituições na proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A medida garantiu não apenas o deslocamento da família, mas também a continuidade do acompanhamento pela rede socioassistencial no município de destino.
Ao falar sobre o futuro, Wellington resume o que espera a partir de agora: estabilidade para trabalhar e cuidar dos filhos. “Espero ter saúde para poder proporcionar a eles uma vida melhor. Eles são a minha prioridade.”