Após dois anos de acolhimento institucional, duas crianças voltaram a viver com o pai graças ao trabalho desenvolvido pela Defensoria Pública do Acre, por meio do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Criança e do Adolescente (Nudeca) e do Programa Rede Humanizada de Apoio a Meninas e Meninos (Rhuamm).
A história envolve o assistido da defensoria que enfrentou, ao mesmo tempo, a luta pela retomada da guarda dos filhos e um delicado tratamento de saúde que culminou em um transplante de fígado realizado há cerca de dez meses.
As crianças haviam sido retiradas do convívio materno após a constatação de situações incompatíveis com os cuidados necessários ao seu desenvolvimento. Diante da vulnerabilidade identificada pelos órgãos responsáveis, elas passaram a viver em acolhimento institucional, serviço destinado a crianças e adolescentes que, por decisão judicial, precisam ser temporariamente afastados da família para garantir sua proteção e seus direitos. Nesse período, permaneceram em um abrigo, recebendo cuidados, acompanhamento e assistência enquanto a situação familiar era avaliada.
O homem também precisou interromper sua busca pela guarda para cuidar da própria saúde. Somente após o transplante e a estabilização do quadro clínico ele conseguiu retomar o processo e procurar apoio da Defensoria Pública.
Foi nesse momento que passou a ser acompanhado pelo Programa Rhuamm, iniciativa que atua de forma integrada com equipe multidisciplinar, oferecendo suporte social, orientação e acompanhamento às famílias em situações de vulnerabilidade. Em conjunto com o Nudeca, foram adotadas as medidas necessárias para demonstrar à Justiça a capacidade do assistido de reassumir os cuidados dos filhos e garantir a eles um ambiente familiar seguro.
Segundo o homem, o apoio recebido foi fundamental para que o processo avançasse. “Depois do meu transplante eu conheci o Rhuamm. Fui muito bem atendido e consegui a guarda dos meus filhos de volta. Estou muito feliz. Só tenho gratidão a Deus e às meninas do programa que me ajudaram durante todo esse processo”, relatou.
Com a decisão favorável, as crianças retornaram ao convívio do pai e já iniciaram uma nova rotina. Em poucos dias, foram matriculadas na escola e passaram a receber acompanhamento na rede de saúde, assegurando a continuidade dos serviços necessários ao seu desenvolvimento.
Para a equipe da Defensoria Pública, o caso demonstra a importância da atuação articulada entre as áreas jurídica e social na proteção dos direitos de crianças e adolescentes. O trabalho desenvolvido buscou garantir que o retorno ao ambiente familiar ocorresse de forma responsável, observando o melhor interesse das crianças e fortalecendo os vínculos familiares.
Hoje, enquanto segue em recuperação do transplante e realizando acompanhamento médico regular, o assistido divide a rotina com os filhos e projeta uma nova etapa para a família. “Agora tenho mais força para continuar lutando pela vida e cuidar deles”, afirma.