A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPE/RS) e o Supermercado Hoffmann firmaram, na tarde de quinta-feira (11), um acordo de cooperação que prevê a adoção de protocolos de atendimento antirracistas. Entre as ações está a criação de um programa interno de capacitação em direitos humanos, igualdade étnico-racial e atendimento humanizado.
Por iniciativa dos Núcleos de Defesa em Igualdade Étnico-Racial (NUDIER) e Defesa do Consumidor e Tutelas Coletivas (NUDECONTU), o acordo garante que o supermercado implemente, em um prazo de 90 dias, protocolos internos de monitoramento, segurança e abordagem de clientes. Os protocolos deverão estabelecer que qualquer monitoramento ou abordagem somente poderá ocorrer com fundamento em elementos objetivos, sendo proibida a adoção de critérios relacionados à raça, cor da pele, cabelo, vestimenta, aparência física, origem, condição socioeconômica ou qualquer marcador discriminatório.
Para as capacitações, os treinamentos deverão ocorrer com periodicidade trimestral, abrangendo todos os colaboradores diretos e prestadores de serviço terceirizados, especialmente as equipes de vigilância e prevenção de perdas.
Entre outras medidas, o Supermercado Hoffmann obriga-se a incluir, em todos os contratos firmados com empresas prestadoras de serviços de segurança, portaria, vigilância e prevenção de perdas, cláusulas específicas de combate à discriminação racial e de respeito aos direitos humanos.
Em março de 2024, um homem negro foi agredido por um segurança de uma empresa terceirizada contratada pelo supermercado, após ter sido acusado injustamente de roubar um produto. O segurança envolvido foi desligado após o episódio.
O acordo, que teve participação dos defensores públicos dirigentes do NUDIER, Gizane Mendina Rodrigues, e do NUDECONTU, Felipe Kirchner, entrou em vigor na data da assinatura e possui validade pelo prazo de 36 meses.