O domingo foi marcado por emoção, celebração e novos começos durante a primeira edição do Casamento Coletivo promovido pela Defensoria Pública de Santa Catarina, em Palhoça. A ação reuniu 24 casais que oficializaram gratuitamente a união civil em uma cerimônia preparada especialmente para transformar um sonho em uma lembrança inesquecível.
O Casamento Coletivo é uma iniciativa que garante acesso gratuito à regularização civil para pessoas que não conseguem arcar com os custos do processo. Mais do que oficializar uniões, a ação busca assegurar cidadania, dignidade e segurança jurídica para famílias que, muitas vezes, adiam esse passo por questões financeiras. Para que o evento acontecesse, meses de preparação envolveram uma rede de apoio formada pela Defensoria , cartórios, parceiros e profissionais voluntários. "A Defensoria ficou meses preparando esse evento. São muitas etapas, desde a documentação até toda a organização necessária para que esse momento acontecesse da forma mais especial possível para cada casal", destacou o defensor público e assessor de projetos especiais, Edison Schmitt.
Os casais participaram de uma experiência completa de casamento: além da cerimônia civil, a programação contou com preparação das noivas, sessão de fotos, espaço para registros das famílias, coquetel de celebração e uma estrutura organizada para acolher os participantes em um dia pensado nos mínimos detalhes. O evento também mobilizou profissionais voluntários que contribuíram para tornar o momento ainda mais especial. A cabeleireira Janaina Vieira foi responsável por reunir uma equipe de 19 profissionais que se dedicaram a embelezar as noivas. "O que fez com que todas viessem aqui em um domingo é a sororidade. É a gente se colocar no lugar dessa mulher que está aqui para realizar um sonho tão genuíno e também contribuir com aquilo que temos de mais precioso, que é o amor pelo que fazemos", afirmou. A maquiadora e cabeleireira Marina Dagostim acredita que as noivas vão guardar com carinho a lembrança desse trabalho coletivo. "Nossa missãoé dar o melhor para que elas se sintam lindas e para que esse seja realmente um dia memorável para todas."
Entre os casais participantes estavam Valdete Aparecida Schlemper e Vilcemar Luis Escarcel da Silva, moradores da Barra do Aririú. Juntos há quase 12 anos, eles realizaram o sonho de oficializar a união civil durante o Casamento Coletivo promovido pela Defensoria. Valdete, que convive com fibromialgia, voltou a usar o vestido do casamento religioso realizado no ano passado. A peça foi cuidadosamente preparada para a nova cerimônia, carregando ainda mais significado para o casal. "Encontrei meu companheiro em uma fase mais madura da vida, mas sempre tive o desejo de casar. É um sonho realizado e sei que é a mesma oportunidade que muitos casais estão tendo hoje. Se não fosse esse Casamento Coletivo, talvez a gente nunca conseguisse viver tudo isso", relatou Valdete.
A cerimônia contou com a presença de aproximadamente 220 convidados e teve celebração conduzida por Murilo Mestriner, que falou sobre o amor. "O amor não tem uma definição exata, mas uma certeza: ele não acontece da mesma forma para todo mundo. Não existe um roteiro ideal, não existe amor perfeito. O que existe são pessoas imperfeitas querendo construir uma vida juntas. Casamento é mais do que um documento, é uma escolha."
Ao ouvir a celebração de Murilo, Beatriz César e Klaydson Paixão se reconheceram em muitas das palavras ditas. Após oito anos juntos e depois de enfrentarem uma mudança de estado lado a lado, conseguiram oficializar a união civil graças ao Casamento Coletivo. A atendente de padaria e estudante de Psicologia, de 31 anos, conheceu o motoboy, de 29, no Rio de Janeiro. Eles desejavam se casar, mas não conseguiam arcar com os custos da documentação. Nesta edição do Casamento Coletivo, além da formalização da união, tiveram a oportunidade de viver uma celebração completa, como sempre sonharam. "No fim, foi o momento certo. Nem dormi direito hoje. Estou mais feliz do que imaginava e muito realizado por viver tudo isso com a pessoa que escolhi para mim", declarou Klaydson.
Josi Sardá, proprietária da Divino Produções, empresa de Florianópolis especializada em eventos, abraçou a iniciativa e, com o apoio de 18 fornecedores, ajudou a proporcionar aos noivos uma experiência completa, com fotos, maquiagem e coquetel para os familiares convidados."É muito gratificante. O sonho deles se torna o nosso, e ver o resultado desse trabalho, construído com o apoio de tantas pessoas, é realmente especial", afirmou.
A ação encerra as atividades do Maio Verde, mês dedicado à Defensoria Pública em todo o país, e demonstra o impacto do trabalho desenvolvido pela instituição na vida da população. Para os casais participantes, o domingo ficará marcado como a concretização de um sonho que, sem o apoio da Defensoria Pública, talvez continuasse distante. A ouvidora-geral, Maria Aparecida Caovilla, esteve na cerimônia e reforçou que hoje é o dia de celebrar a possibilidade de uma vida mais feliz e com dignidade. "Daqui adiante é seguir com amor, alegria nessa jornada da vida!"
O defensor público-geral, Ronaldo Francisco, e o presidente da ADEPESC, João Joffily Coutinho, atuaram como testemunhas de todos os casais. "A Defensoria Pública existe justamente para garantir que direitos não sejam negados por falta de condições financeiras. Hoje vimos histórias sendo reconhecidas, famílias celebrando e pessoas tendo acesso à cidadania de forma digna e acolhedora", afirmou o defensor público-geral, Ronaldo Francisco.