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28/05/2026

CE: Mutirão da Defensoria orienta famílias que querem adotar no Ceará

Fonte: ASCOM/DPECE
Estado: CE
Mais de 70 famílias foram atendidas durante a quarta edição do mutirão para orientação sobre adoção, promovido pela Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE) nos dias 25 e 26 de maio, em Fortaleza. Outras 150 pessoas já estão com atendimento agendado para as próximas semanas. Entre dúvidas, expectativas e histórias marcadas pelo afeto, pretendentes à adoção encontraram acolhimento e orientações sobre os caminhos legais para formar uma família. 
 
Era pouco mais de 8h30 da manhã quando Eulália e Lia Nogueira entraram no Núcleo de Atendimento da Infância e da Juventude (Nadij), no bairro Cidade dos Funcionários, para conhecer o caminho que deverão trilhar até encontrar a criança que completará a família. O casal foi o primeiro a ser atendido no mutirão.
 
Juntas desde 2020, Eulália e Lia passaram a considerar a adoção há cerca de três anos, a partir do amadurecimento da relação e da vontade de construir uma família. “A gente conversava sobre isso desde o início, mas não tinha uma decisão fechada. Tentamos outras possibilidades, como a inseminação, mas os custos eram muito altos. Pensamos: tem tanta criança querendo uma mãe, um lar, alguém. E, coincidentemente, foi quando surgiu o mutirão”, relata Lia Nogueira.
 
Logo que viu a postagem sobre o mutirão nas redes sociais, Eulália realizou a inscrição e agendou o atendimento. Ela e Lia chegaram ao local dispostas a compreender todas as etapas da habilitação, sem preferência definida quanto ao perfil da criança. “Estou esperançosa. O primeiro passo nós já demos, agora é aguardar e torcer para que tudo dê certo. Eu sempre tive vontade de ser mãe”, afirma Eulália Nogueira.
 
Afeto dividido também pela administradora Flávia Santana chegou ao mutirão movida por uma história que carrega desde o nascimento. Ela própria chegou à casa da mãe adotiva com apenas 24 horas de vida e cresceu cercada de amor. “Isso nunca me causou dor nem vergonha. Eu sou muito feliz com a minha história”, ressalta.
 
Casada há 20 anos e mãe de dois filhos biológicos, de 14 e 11 anos, Flávia diz que sempre sonhou em adotar uma criança. O desejo amadureceu ao longo dos anos e hoje é compartilhado por toda a família. “Meus filhos abraçam essa história junto comigo. Vai ser uma princesa muito bem-vinda”, afirma, referindo-se à menina que pretende adotar, de preferência entre 3 e 4 anos.
 
Flávia também relembra a relação com o irmão, igualmente adotado, e destaca que nunca houve distinção dentro da família. “Não existe isso de filho de criação. Esse é meu irmão, essa é minha mãe. É uma relação muito forte”, relata. Para ela, a adoção é construída pelo afeto e pela convivência. “Se você deseja ser pai ou mãe e ainda tem resistência à adoção, não tenha medo. O amor é construído no dia a dia”, conclui.
 
Entre as muitas expectativas de adoção, teve também histórias de regularização de guarda. Não era um caso do mutirão, mas as defensoras atenderam também situações assim. Caso da cabeleireira Antônia Meire, que cria a treze anos uma menina, cuja mãe biológica abandonou. “Ela sempre me cobrava porque não tinha o meu sobrenome. Meus filhos dizem que ela é o amor da nossa vida. Hoje estamos aqui para formalizar isso, para honra e glória de Deus”, emociona-se.
 
 
 
Entre expectativas e recomeços
A casa de Vera Lúcia Cardoso e Jonathan Pereira já está pronta para receber uma criança. O enxoval está comprado, o berço escolhido e a ansiedade aparece em cada palavra do casal. Casados há um ano e cinco meses, eles participaram do mutirão decididos a iniciar o caminho da adoção e não escondem o desejo de acolher uma menina. “Estamos orando para Deus abrir as portas e trazer essa bebezinha pra nós”, afirma ela, enquanto mostra fotos das roupinhas já compradas para a futura filha.
 
Histórias como a de Vera e Jonathan revelam também um dos principais desafios enfrentados pelos pretendentes: compreender as etapas legais da adoção. Segundo a defensora pública e supervisora do Nadij, Noêmia Landim, o procedimento ocorre em duas etapas.
 
“A primeira é a habilitação, momento em que os pretendentes apresentam documentos, participam de cursos e passam por entrevistas. Após aprovados, eles são inseridos no Sistema Nacional de Adoção e passam a aguardar uma criança dentro do perfil desejado. A segunda etapa é a adoção em si, quando ocorre a vinculação da criança à família e o acompanhamento jurídico do processo até sua conclusão”, explica.
 
A decisão de adotar nem sempre é simples e, muitas vezes, precisa ser amadurecida. Sobretudo quando o desejo da gravidez ainda permanece latente para uma das partes. “Eu ainda tenho uma certa resistência com a ideia e medo dos traumas que uma criança pode carregar de situações que já viveu”, admite o corretor de imóveis Paulo Medeiros. Ele e Silvane Lima estão casados há oito anos, juntos há quase duas décadas e, atualmente, tentam uma gravidez por fertilização in vitro (FIV).
 
O convite para participar do mutirão partiu de Silvane, para quem a adoção sempre foi uma possibilidade. “Eu queria gerar dois filhos e adotar o terceiro”, relembra. O desejo se fortaleceu ainda mais após o diagnóstico de que não pode gerar . “O meu sentimento hoje é de esperança. Quero muito realizar esse sonho. Já sofri muito com o diagnóstico de infertilidade”, afirma.
 
Mesmo tentando engravidar por meio da FIV, Silvane diz estar decidida  a adotar, independentemente do resultado do tratamento. O primeiro passo foi dado justamente no Dia Nacional da Adoção, quando o casal recebeu as primeiras orientações sobre o procedimento. “A gente chegou meio perdido, sem saber nem o que fazer. Estamos aqui para entender”, relata Paulo Medeiros.
 
Foram mais de 70 famílias em busca por orientação, acolhimento e a possibilidade de transformar vínculos afetivos em relações reconhecidas oficialmente. Para muitas, o mutirão representou mais do que informação jurídica. Foi o primeiro passo concreto rumo à adoção.
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