As chacinas ocorreram no mesmo momento em que estouraram os ataques da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no estado de São Paulo contra policiais militares e civis. De acordo com o movimento, os ataques resultaram em reação de grupos de extermínio, com a presença de agentes do Estado. De acordo com o movimento, na capital e na Baixada Santista, cerca de 500 jovens foram assassinados.
Segundo uma das representantes do Mães de Maio, Débora Maria da Silva, que perdeu o filho na noite do dia 15 de maio de 2006, ela precisou investigar o crime por conta própria devido ao descaso da sociedade com os crimes. “Depois de ficar em depressão, conheci uma mãe que teve o filho morto nas mesmas circunstâncias e nós fomos procurar outras mães. Houve 74 mortes na Baixada Santista, e dessas, [mães das vítimas] quatro formaram o movimento. Há sete anos estamos cobrando das autoridades a história que não foi contada e punições severas para os mandantes e executores”.
Débora contou que o grupo já foi a Brasília para pedir a reabertura dos inquéritos, fechados sem conclusão satisfatória para as mortes. “Nós pagamos com a vida dos nossos filhos por uma guerra que não era nossa, era entre o crime e a corrupção do Estado. Nós sabemos da verdade, mas o resto do Brasil tem que saber também”.
Segundo ela, depois dos ataques da facção criminosa, jovens da periferia continuaram a ser mortos da mesma maneira. “Capuz, moto, carro preto, carro prata, com vidro escuro, ninguém viu, ninguém sabe, ninguém investiga, inquérito é arquivado. Em 2010, isso se repetiu na Baixada Santista, com a morte de mais 26 pessoas, jovens pobres e negros da periferia”.
O ato é uma homenagem a todas as vítimas, com shows de grupos de rap, grafitagem, dança de rua, teatro,circo e ainda profissionais que farão tranças nos cabelos das mães.
Em março deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que o governo paulista indenize a família de Mateus Andrade de Freitas, morto na série de assassinatos. O jovem de 22 anos foi executado, junto com um amigo, em uma pizzaria, após saírem da escola onde cursavam o ensino médio no período noturno. A indenização foi a segunda concedida pelo TJSP, entre oito ações do mesmo tipo movidas pela Defensoria Pública. O governo estadual ainda pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).