Carlos Eduardo Rios do Amaral é Defensor Público do Estado do Espírito Santo, Titular do Núcleo da Mulher
Apesar de nossa Constituição Republicana de 1988 se envaidecer ao pregar que “não existirá pena cruel”, muitos brasileiros e brasileiras encontram-se sentenciados ao castigo perpétuo de não poder amar, impedidos de buscar e de sentir a felicidade plena ao lado do ser amado.
Caminhamos para a terceira Década deste novo Milênio e ainda aprisionamos os homossexuais ao seu próprio corpo. Parece que não aprendemos nada com o sofrimento dos escravos negros da África. Para não padecer na América, muitas mães com filhos recém-nascidos ao colo suicidavam-se nos navios negreiros se atirando ao alto-mar.
Jovens, moços e moças, ainda hoje são chicoteados e torturados na alma por nossa sociedade hipócrita e preconceituosa, que pouco se importa na verdade com o bem-estar destes, apenas deseja o prevalecimento de seu dogma, pelo dogma.
Para piorar ainda mais a situação dos homossexuais, nosso Parlamento tarda em aprovar uma legislação que os retire da condição normativa de caricatura de gente, demora em resgatar a dignidade de muitos, mesmo que paradoxalmente diga que a opção sexual é livre. Livre uma ova! Livre é o preconceito!
Não pode existir dois Brasis. Um alegre, cativante e colorido, que nos enaltece no cenário internacional, através da cultura, arte, entretenimento, ciência e esportes. E outro que nos remete à Idade Média, à uma escuridão ou tese macabra que quer ser impregnada a todos, como se o povo fosse uma mistura homogênea descarnada.
O que mais falta para se alforriar os homossexuais de sua escravidão? O que se faz necessário para despertar o legislador de sua prostração? Liberdade para todos, sem distinção, este é o desejo maior de nossa Constituição Federal que se intitula como vigente.